Fui em frente, mas parei, descobri que o caminho que me disseram que era o melhor estava na contramão dos meus sonhos, do que eu acredito. Regrido para alguns; avanço na descoberta de mim. Meus passos, que por vezes se mostraram tímidos ou desconfiados, seguem e seguem calejados. Eu não havia percebido, mas estou em fase de recuperação. Não, não tenho nenhum transtorno físico, psíquico ou mesmo emocional, o que me assola é muito mais e/ou muito menos, não importa; nunca consegui tornar-me ou mesmo tornar minhas angústias explicáveis. Eu falo, mas sempre acabo falando em outra coisa, as outras coisas parecem ser imploradas e o que não importa é sempre o que interessa. Dizer claramente sobre minhas questões mais profundas, em linhas objetivas e esclarecedoras, nunca foi, hoje não é e acredito que nos próximos amanhãs também não será, onde reside a minha força. Mas a fruição das minhas subjetividades em papéis bonitos, feios, rasgados, sujos, decorados, virtuais, reais, é meu alento, meu fôlego e minha maior coragem. Há alguns dias, seguindo a “lógica” acima explicitada, tenho estado covarde e ferindo gravemente meu próprio tratamento. Meus papéis estão em branco, a mão que me desengasgava só tem escrito o que me engasga ainda mais. Eu não tenho cuspido, não tenho vomitado e não tenho conseguido dialogar com as palavras sobre meus morreres e nasceres diários. Parece uma grande bobagem; mas o fato é que estive em muitos dias, e nestes, fixei em muitos olhares, descobri novas pessoas, estive em outros becos, mergulhei em outros recifes, senti o cheiro de novas flores, tateei ríspidas texturas, chorei em outros medos, desesperei-me frente ao exagero de estar aqui, vivendo; e nada, as palavras ainda não sentiram nada disso, e meus escritos (que reforço: não desejo que me traduzam) não me ajudaram a deglutir e posteriormente digerir nada, nada disso. Que seja um curto espaço de tempo, mas eu quero resgatá-lo em minha maneira; quero me reconciliar, não comigo, mas com aquilo que desobstrui meus poros, que reforça minha voz, que faz meus cambaleantes passos serem um pouco mais firmes, ou seja, meus dedos enlaçarem uma caneta (ou qualquer objeto que tenha os mesmos fins), meus olhos se enxerem de vigor, e os papéis voltarem a serem refúgios para nadas tão cheios de tudo e tudos tão cheios de nada.
Obs: e que esse escrito tão sincero seja meu grande desentupidor.
sábado, 9 de abril de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Dualidade
E na cabeça ecoam palavras que não são exatamente minhas, mas que foram destinadas a mim “teu instinto, tão selvagem quanto um cio”. A meiguice, sempre tão fortemente presente nas menções que incluíam meu nome, meu jeito, meu gesto. E como é difícil quem acredita que eu seja uma, entender que em mim está pulsando também a outra. Que meu bicho, minha selvageria, não se desliga dos meus momentos racionais, delicadamente pensados, dos meus sentimentos construídos. Minha necessidade de ser gente que se choca e mescla com o desejo de ser só vontade, só instinto, só sensação. A leveza do viver existe juntamente com a firmeza do meu olhar. A dureza do meu viver existe na docilidade do meu sentir. A dor do meu sentir existe naquele meu choro que eu reprimi. Eu não posso e não consigo abafar por muito tempo os gritos animalescos que eu tenho aqui. Quando abafo, eu torno a me destruir. Eu sou muitas vezes puramente destruição, eu saio devastando qualquer boa-intenção que eu tenha comigo mesma. O corpo não mais agüenta as diversas vezes que descontei e ainda desconto minhas raivas, meu bicho preso nessa carapaça que me força a ser gente. Eu me forço a ser gente, gosto de me forçar a ser gente, refletir é meu vício; questiono tudo, menos onde jogo minhas parcelas que me ajudam a conviver comigo, e a me aceitar das únicas maneiras que eu ainda posso ser. Essa contradição das observações e opiniões alheias sobre mim, já me confundiram, grande besteira! Se uma em mim morre, a outra em pouco tempo definha. Uma parte de mim nutre a outra, e se esqueço de alimentar uma das duas, eu torno a me tornar um erro, um erro para mim e em mim. Se não grito, esqueço que tenho voz. Ser só silêncio me deixa rouca. Internamente eu nunca paro de berrar, há dentro de mim o desconforto daquela criança que acabou de nascer.
domingo, 30 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Ganhar em vida.
Eu perco, eu perco meu domínio, para que eu possa ganhar mais vida. Quero alertas atrapalhadas. Inesperados focos que chamem minha atenção. Fatos que disfoquem a visão. Visão que se recrie com meus olhos fechados. Sentidos que se apurem. Gostos a serem provados. Arrepios internos se manifestando para o sentido tátil. Que o profundo atinja a superfície, que pode ser vista, tocada. Trocas de experiências e experimentações pela madrugada adentro. Adentro em terras que permaneciam desertas. Acho fontes que jorram águas escondidas num clima que se jurava árido, juro que te fertilizarei.
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