sexta-feira, 30 de abril de 2010

Por querer bem meu querer,
quero meu bem-querer
bem querendo
seu bem.
Esse algo que me toma,
como se algo fosse eu.
Não sou de sua circunstância,
tampouco quero isso que é seu.

Me debruço nos pormenores,
do todo que me insiste...
Insistência que me entrega,
àquilo que nem existe.

Existir à sua forma,
de figura metamorfoseada.
Indo na contramão,
de uma paz enxameada.

Derrames da memória,
dos segundos que virão.
Loucuras, distorções,
certamente, não em vão.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AMÁGUA AMÉM

Em comunhão com as águas,
faço do mar minha oração.
E neste silêncio de sim,
vou aprendendo a dizer não.

Pois nada fere mais a pedra,
que o vai-e-vem da maré.
E nem por isso deixa de amá-la,
exatamente como ela é.

Entendendo a contragosto,
a dinâmica dos portos.
Na convivência dos que chegam e partem,
o coração não mede esforços.

Com os pés no chão,
e o resto no vento.
Essa umidade que me salga,
é meu mais forte alento.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Tempo irrisório! Segundos na espreita, minutos de soslaio, hora do bote...horas: atacar!
...é, fugiu!

- Quer tentar denovo? Ainda temos tempo. - Como se tivessemos tempo sobrando... - Temos. - Escuta aqui, já parou para olhar em volta? - Não, e nem você. A diferença é que tenho razões para isso. - E eu as invento. - E crê nelas. - Tem como não crer na farsa? - Tem, assim que você descobrir qual é ela.- Tem pistas? - Todo momento. - E se todo momento for também impostura? - Você quis, não quis? - Tanto quanto você. - Não, o contrário. - O quê? - Acho que era para eu ter dito isso.

Permaneceram jogando inversões, e que nossa lógica os perdoe. O tempo acompanha ou é acompanhado?
Que cheguem os tempos de longas compreensões. Longas e poucas.