quarta-feira, 17 de abril de 2013

Rememória em constatação.


"Seria muita ousadia de minha parte dizer que sempre há um mínimo vão que não se preenche?"

(não era ousadia de meus olhos, nem de meu olhar saturado e receoso).

Pois é menino,

sempre há um mínimo vão que não se preenche.


...uma respirada profunda para os momentos que hão de vir...fôlego!





.Mas não ensaie suas falas, nem restrinja seus assuntos.

sábado, 23 de fevereiro de 2013



"Saberá que, no centro
de seu corpo, um grito,
se elabora?"
                                                 (GULLAR, Ferreira; Toda Poesia, p.28)

Eu reinventei meu silêncio para poder voltar a falar. Após essa pausa, cuja continuidade foi duramente disputada com a necessidade de recomeçar, eu vou, eu voo...
Novamente.

Caminhando por ruas bastante claras, compreendo que o privilégio (ou a tortura) de “não deixar nada passar”, também me foi apresentado como escolha; e eu nunca cogitei optar pelo “Não!” ou mesmo pelo “Um pouco menos...”.  Entendo que a vida foi se construindo na intensidade da minha sutileza, mas também, no detalhe do meu exagero. Eu vi muito...
Sinto muito.

         Se fui mar bravio ou águas serenas, já não mais me importa saber, confesso. O estranhamento e o reconhecimento, no mesmo passo, em cada situação vivida (ou a ser), em cada personagem cotidiano, em cada sensação e sentimento que me excede, são condições desse passeio que, hoje, percebo e acato...
           Eu gosto.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ela não queria ser entendida.


Ela me implorava:
“Pare de me ler por entre cifras!”

Tento hoje procurar pela nota;
Por essa nota incerta,
Caminho incerto,
Eu incerto.

Às vezes me canso
De tantas curvas,
Queria que fosse mais linear
Que não me surpreendesse tanto.

Queria que deixasse
O esperado se cumprir,
Por si só.

Em alerta,
Vivo ofegante,
Correndo sempre atrás
Do que me escapa.

Eu bem sei quanto me encanta.

Mas me enveredo tanto
Por seus labirintos,
Que esqueço de seguir
A minha estrada.

Seu sussurro,
Assim bem perto,
Quase que me
Ensurdece...
A pele.

A pele,
Assim tão frágil,
Quase que me
Quebra...
O chão.

O chão,
Assim tão firme,
Me acovardeia...

Todo sim
e
Todo não.