Páginas percorridas.
Um livro,
um tempo.
Tempo que faltou.
Faltam memórias.
Letras, frases, versos.
Destroem,
pouco a pouco,
o imaginativo do pouco real.
Nem imagem, nem ação.
Ler tudo ao contrário;
contra-edição,
contradição.
Partir do início ou fim,
já nem me importo,
olhos percorrem por si sós,
encaixes não param.
Procurar a volta ao tempo,
retorno ao antes-tempo;
nem história,
nem música,
nem poesia.
Sensação da palavra,
fugidia,
impressão que não traduz.
Gordo nada,
rechonchudo de significações
coisas que não querem dizer.
Querem das outras,
obrigação do próprio fechamento.
Palavras fechadas,
um quê de morte;
há as que não morrem.
Sobreviver à tragédia,
Nascimento do próximo,
próprio tempo.
Estantes recheadas.
Abro,
me engole.
Novamente no tempo,
todas as possibilidades.
Sem me utilizar de anteriores.
Sempre um marinheiro de primeira viagem,
que nem sabe o que é o mar.
Não sabendo, mergulha.
E se não é assim que é,
assim tem sido.
Tem bem sido!
Apesar da exaustão do afogamento,
do gosto novo do velho sal
é de que gosta meu paladar.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Eu devia era saber, saber que nunca mais saberia daquele casal de farrapos miúdos que sentavam na grama e não esperavam o vento passar. Eu os olhava, olhava de longe. Espaço pra perto só existia entre eles e ainda sim, não se preenchia. Choro de um, decadência de dois. Abatimento de quem se entregou ao sabor sem o querer. Do doce, o amargo; do suplício, a rendição. Pudicos nem na alma. O gozo da vida que não chegara. Na busca, as mãos dadas; doadas para que se equilibrassem as desilusões, os desafetos, os desamores. Sabiam que as pernas assincrônicas caminhariam juntas, mas somente elas. Os sonhos percorriam caminhos distintos a cada criança que passava correndo. O passado não se apagava e do futuro nada esperavam. Os pés presentes rolavam tais quais pedras num barranco, pontiagudos forçavam cambalhotas doloridas. No discurso das passadas leves, enganavam os inocentes transeuntes. Estes inocentes que passam e não duram, que nunca passam do efeito para a causa. Eram causas consolidadas, mas não duráveis. A permanência duraria enquanto durasse a inconstância de ambos, enquanto durassem os beijos frustrados com excesso de ausências. Trépidos jogadores de vida. Avassaladores exemplos de nada. Um e um que não somavam dois. Dois que não davam um.
domingo, 27 de setembro de 2009
E de tudo, somente encaixa o explosivo abismo do "Ah", epifania sobre-real, experiência multi-facetada. Quase cantando "havia de ser com você"...repensando, "havia de ser mesmo em mim". O que resplandeceu já estava contido em si. Abafado, esperando. E da espera, nada se perde, mas, sobretudo, se amplia.Assim,ligando-me ao momento "Ah", aquele onde tudo se encaixa com tamanha lucidez que espanta, que agita, que revira, que clareia os passos mais obscuros do ser andante. Os olhos doem por tanto tempo condicionados a esquecer quem é a tal claridade, e os efeitos que ela te causa. Sair deste movimento pendular em que se abrem e se fecham, sempre na mesma escuridão. Se tudo flui, por que, justo eu, hei de ficar? Me livrem do fantasma da passividade, da falsa impressão da dor do seu sendo-me alheia. Hoje, me desculpem, mas eu não quero anestesia! Seu sedativo que se baste!
Sei lá, o que sei bem é que foi lá, no mais estranho desse mesmo. AH! Estende-se longamente, entendendo perfeitamente os HUNS que se moldam aos mais silenciosos e confidentes risos...um grito, verdadeiramente, inaudível.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Poeta da incompletude.

Chamar de libertino o que busca metades ébrias, esboços inquietos, parideiras de almas?
Chamar de parvo o que vive na corrida incessante de encontrar seu horizonte impossível?
Impalpavél tua imagem que foge dos encantos retorcidos de meus desejos.
Delírios equilibristas sobrevivem ao correr dos cotidianos, se revelando em tuas mais obscenas especulações.
Esculturada com esmero tua máscara social, suportando heróicamente às facas cravadas no peito.
Sobretudo, um nó incestuoso submisso as leis frágeis do espírito desalinhado.
Um líquido volátil exposto a chamas incognoscíveis.
Um pretencioso nato que se apaixona pelos percalços entranhados nas jogatas permanentes de tua conduta inebriante.
O inconveniente da calma, o pessimista da vantagem, o furo do vácuo, a modéstia do supérfluo, o autêntico da mentira, a exposição da timidez, a discrição da extravagância.
Aquele que se assemelha, como ninguém, aos meus rebentos, à dimensão mais profunda do que quero escapar, à tentação mais voluptuosa de me associar.
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